O Arquivo Flusser foi organizado pela viúva do pensador, Edith Flusser (hoje vivendo em Nova Iorque), com a ajuda de Klaus Sander. Em 1998, foi entregue aos cuidados de Siegfried Zielinski, grande teórico alemão das mídias e estudioso de arte tecnológica. Até 2007, ele se localizava em Colônia (segundo me contaram, a universidade sofreu um incêndio que por pouco não destruiu o arquivo). Depois dessa data, ele passou a ser abrigado na Universität der Künste Berlin (Universidade das Artes de Berlim), onde Zielinski assumiu a cátedra de arqueologia e variantologia da mídia. Inicialmente o arquivo foi supervisionado por Sivia Wagnermaier, que editou, junto com Zielinski, o livro onde foram transcritas as aulas dadas por Flusser em Bochum pouco antes de morrer (Kommunikologie weiter denken). Atualmente, sua supervisora científica é a doutoranda Claudia Becker. Rodrigo Novaes, brasileiro aluno de Zielinski, trabalha ao lado de Claudia nos vários projetos ali desenvolvidos. O arquivo consiste de cerca de 2500 manuscritos de Flusser em pelo menos quatro línguas (português, alemão, francês e inglês), muitos deles ainda inéditos. Além disso, abriga a numerosa correspondência de Flusser, parte de sua biblioteca de viagem e variados estudos sobre o pensador. O arquivo sofre de uma série de problemas oriundos da falta de recursos: por exemplo, o material está organizado de uma forma muito singular, por palavras-chave que nem sempre facilitam a localização do material procurado. Na verdade, trata-se de várias pastas contendo cópias e mais cópias de folhas datilografadas por Flusser e organizadas a partir dos idiomas em que os textos foram escritos. Quando eu estive lá, Claudia estava às voltas com o problema de recuperar partes desse sistema de classificação, que fora elaborado em antigos computadores Mcintosh e ilegível, portanto, nos atuais sistemas operacionais. Recentemente, Zielinski conseguiu contratar Annie Goh como auxiliar do arquivo, e havia a promessa também da contratação de um bibliotecário que ajudaria a classificar o material adequadamente. Ele ocupa uma pequena sala no terceiro andar do prédio da UdK que fica em Kleistpark, em Schöneberg (saída do U-Bahn linha 7, estação Kleistpark). Não obstante todos os problemas, o arquivo tem se caracterizado como ferramenta fundamental para pesquisadores, graças aos esforços e à paixão de Zielinski, Claudia e Rodrigo. Eu frequentava a sala livremente, praticamente todos os dias da semana, mesmo quando Claudia e Rodrigo não estavam lá. Do mesmo modo, durante o período que passei em Berlim, pude testemunhar a passagem de vários pesquisadores e estudantes de doutorado (como o Norval, antigo frequentador, e Alex Heilmar, seu orientando), que tinham livre acesso ao material. Parabéns aos encarregados por seu empenho em colaborar com essa importante fonte de recursos para a pesquisa.
Sobre o Arquivo Flusser
December 8, 2011 by poshumano
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poshumano
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The buzzword "cyberculture", as well as the epistemological split between "analog" and "digital" technologies no longer adequately reflect the technocultural complexity of our age. What matters now is to ponder on the material and technological dimension of mediatic phenomena. Short, one has to acknowledge: there is no cyberculture. What. What should we replace it with?Categories
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Apoio a proposta do Arlindo de trazer os textos para o Brasil. Flusser foi um dos fundadores da ECA e das escolas de comunicação no Brasil.
Há inúmeros editais anuais do Ministério da Cultura para preservação e manutenção de acervos. Seria bem interessante entrar com um projeto. Em geral são projetos para instituições, devem ter anuência e aval dos detentores dos acervos.
Também lamento, hj. com os poucos que ainda berram contra atrocidades, sinto-me como formiguinhas. Dessa forma se manipula o acesso ao conhecimento proporcionando mais manipulações, especulações etc…
O bom seria desenvolver um processo de digitalização de todo o conteúdo financiado com doações online…