Metafísica de Guerrilha (uma filosofia dirigida às coisas)

Em Guerrilla Metaphysics: Phenomenology and the Carpentry of Things, Graham Harman propõe uma revisão radical dos princípios da fenomenologia. O único modo de promover efetivamente a proposta husserliana do “retorno às coisas mesmas” é ir além de Husserl e construir uma filosofia dirigida aos objetos (object-oriented philosophy).  O problema de toda fenomenologia, mesmo no caso dos “fenomenologistas carnais” (Lévinas, Merleau-Ponty), é o de acabar recaindo numa filosofia do “acesso humano” e não das coisas mesmas.  Ou seja, o fenômeno ainda se fundamenta numa concepção do sujeito humano que lança seu olhar sobre o mundo, com suas qualidades e dimensões sensíveis.  Ao evitar a todo custo lidar com os “objetos naturais da ciência”, a fenomenologia se converte numa indagação sobre as condições do acesso humano às coisas e não numa investigação das coisas enquanto tais.  No fim das contas, trata-se de idealismo, o qual Harman buscará evitar.  Ainda estou lendo e livro e curioso para entender como o autor pretende resolver esse problema.  Contudo, já me interessa, do ponto de vista de uma postura sobre a investigação da “materialidade dos meios”, o princípio não-hermenêutico e não-antropocêntrico embutido no pensamento de Harman.  Talvez fosse mais sensato começar lendo seu livro anterior, Tool-Being: Heidegger and the Metaphysics of Objects, mas está esgotado e estou esperando para ver quando (e se) chega a cópia que encomendei na Amazon.  Estou interessado em todo tipo de filosofia que proponha um ultrapassamento do plano da linguagem e da interpretação, algo que a escola das materialidades (Gumbrecht, Pfeiffer etc.) sugere, mas sem chegar a nos oferecer um caminho seguro para a construção de uma metodologia da investigação material.  Enquanto isso, acho inviável pensar as questões contemporâneas da tecnocultura sem considerar sua dimensão “aparencial” , ou seja, o design do objeto tecnológico, o problema da manifestação visual e os impactos das estruturas de interfaces e gramáticas tecnológicas sobre os usuários.

One thought on “Metafísica de Guerrilha (uma filosofia dirigida às coisas)

  1. Boa tarde, Erick
    Interessante o post, mas me deixou uma dúvida. Você escreve: O problema de toda fenomenologia (…) é o de acabar recaindo numa filosofia do “acesso humano” e não das coisas mesmas.
    Mas não é exatamente isso o que a fenomenologia acredita, que nos é impossível o conhecimento das coisas mesmas, sem a intermediação dos sentidos? Seria possível uma filosofia não-antropocêntrica, de fato?
    Bem, aguardo um outro post quando você concluir a leitura do livro. 😉
    Ana Paula

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