“Pensadores Esquecidos que Adoraríamos ter Lido”

Inauguro com este post uma nova série, a dos pensadores esquecidos que adoraríamos ter lido.  Lembro com riqueza de detalhes: pelos idos de 1997, passeando pela infinita e mágica biblioteca da UCLA, encontro o raríssimo Gottlose Mystik, de Fritz Mauthner.  Abro o livro e me deparo com essa belíssima frase, que usarei como epígrafe do primeiro capítulo de “Sliêncio de Deus, Silêncio dos Homens”: “Früher, ja früher, da die Welt noch jung war, gab es eine einzeige Sehnsucht, und die war stark, stärker als  die Liebe, doppelt stärker als de Tod” (“Cedo, bem cedo, quando o mundo ainda era jovem, havia um único anseio, e ele era forte.  Mais poderoso que o amor, duplamente mais poderoso que a morte”).  Nestes últimos meses tenho reencontado Mauthner, e por alguma espécie de misteriosa conjunção astronômica venho colhendo esporádicas referências a ele nas mais variadas leituras.  Agora, como realmente sofro de síndrome de déficit de atenção, resolvi comprar e ler esse livrinho que descobri passeando pela Powells: “Metaphors of Knowledge: Language and Thought in Mauthner’s Critique”, da Elizabeth Bredeck.  Em “Silêncio de Deus, Silêncio dos Homens”, usei algumas referências do trabalho de Silvia Dapía Die Rezeption der Sprachkritik Fritz Mauthners im Werk von Jorge Luis Borges para sugerir que a leitura prematura do austríaco refletiu-se através de toda a obra de Borges, por exemplo, na elaboração das línguas imaginárias de Tlön.  Sem relação direta com a bibiografia que estou lendo para o novo módulo da pesquisa CNPq (Cibercultura e teoria da mídia alemã), a reflexão de Mautner me interessa por sua convergência com certas tendências contemporâneas.  Seu conceito de um continuum inseparável entre mente e corpo ou sensação e conhecimento (em lugar de qualquer espécie de dualismo), por exemplo.  Outra razão para ler sobre esse cara, em meio a tantos outros compromissos e leituras prioritárias, encontra-se no curso de graduação de Tópicos II sobre Comunicação e Filosofia.  Não sei se vou fundir a cabeça dos alunos com essas referências (Mauthner, Flusser, Mark Hansen…) ou destruir minha fama como professor com discurso inteligível, mas acho que vale a pena arriscar.  Mesmo na graduação temos que ter algum espaço para ousar um pouco, para mexer com as cabeças.  Se isso não acontecer, a universidade se converte em mero escolão técnico…

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