Abciber: A “Cibercultura” e a Teoria da Mídia Alemã

Tentando alinhavar idéias para a apresentação na Abciber:

  1. ainda é possível falar em Cibercultura?  O que o termo significa?
  2. A teoria da mídia alemã como resposta aos desafios da “late cyberculture”
  3. Os três eixos da teoria da mídia alemã: abordagens não-hermenêuticas, perspectiva histórico-(an)arqueológica, foco na dimensão estética dos fenômenos tecnológicos
  4. Kittler e Zielinski: descontruindo os discursos triunfalistas (se houver tempo, Gumbrecht)
  5. Vilém Flusser: um precursor
  6. Novos tempos, novas epistemologias

 

No fundo, a proposição é bastante modesta, e consiste tão somente na sistematização de um campo pouco conhecido por nós.  O domínio da francofonia na universidade brasileira ainda é inquestionável.  No campo da Cibercultura surgem brechas para a cultura acadêmica anglófila, mas o pensamento alemão (que, aliás, muito deve aos pós-estruturalistas franceses) não tem quase nenhum espaço no contexto brasileiro.  Mapear autores, teorias e abordagens é um trabalho sujo, mas necessário num ambiente cultural carente de cartografias e visões de conjunto.

Este trabalho será o germe de uma proposta de pesquisa (módulo do projeto “Cartografias da Cibercultura”) a ser conduzida na Alemanha em 2010 – se assim as divindades da Capes e do CNPq permitirem.  Uma tese de fundo dessa pesquisa é a necessidade de maior embasamento teórico nas pesquisas sobre Cibercultura.  A popularidade crescente de um discurso tecnicista, que converte as realidades sociais e culturais em números e estatísticas, tem esvaziado a reflexão teórica de sua dimensão filosófica – necessária a toda tentativa de compreensão abrangente do social.  Nesse afã de quantificar, de explicar com precisão e método (nos moldes em que as ciências “duras” encaram esses termos), a dimensão de risco do pensamento tem se obscurecido.  O risco, a criatividade, o atrevimento teórico são marcas, por exemplo, do trabalho de Zielisnki (e nesse aspecto, explicitamente inspirado por Flusser).   Não existe, por exemplo, um método precisamente delineado para executar uma pesquisa a partir dos pressupostos das teses das “materiaidades da comunicação” (Gumbrecht et alii).  O que existe é um parti-pris teórico, um desejo de produzir saber a partir de uma perspectiva alternativa (ainda que não excludente) ao paradigma hermenêutico que reina soberano há séculos no campo das humanidades.  Desde há alguns anos venho afirmando que a vanguarda dos estudos de comunicação se localizará no campo do audiovisual e das pesquisas sobre tecnologias de comunicação.  Isso porque a Cibercultura – se é que existe – possui uma dimensão estética cuja importância ainda não foi propriamente avaliada pela crítica.  Se ela é um objeto uniforme e identificável, o é exatamente como imago mundi – como um horizonte de experimentações, sensações e imagens no qual o aspecto lúdico (arte-entretenimento) merece relevo.  O fascínio contemporâneo com o tema das interfaces parece apontar precisamente para essa inter-relação entre arte, entretenimento, imagem e experimentação.  Nesse sentido, talvez nossa aproximação com o domínio das ciências duras deva se dar exatamente naqueles horizontes onde elas se aproximam das artes (e o trabalho de artistas-teóricos como Peter Weibel indica precisamente isso), e não numa tentativa de recuperar saudosamente a concepção moderna de uma ciência enunciadora de fatos e consolada na empiria.  Mas isso é um tema polêmico e que merece desenvolvimento mais cuidadoso…

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