O que Pesquisar quer Dizer (Continuando o Debate)

Recebi um comentário da querida Raquel Recuero em relação à minha resenha do livro de Juremir e, como considero essa discussão importante, reproduzo todo o comentário abaixo.  Pretendo rapidamente respondê-lo aqui, mas, enquanto isso, a meia dúzia de leitores que freqüentam este blog podem acompanhar as críticas de Raquel.  Tenho impressão de que isso vai dar um bom debate.

[p.s: por que todo mundo sempre omite o “k” do meu “Erick”?  Eu gosto de fantasiar que ele faz parte da minha identificação com o eterno personagem Kafkiano (K), que inisite em tentar extrair algum sentido do mundo, mas acaba sempre levando na cabeça.  Como dizia Kafka, “existe bastante salvação no mundo, mas não para nós…”]

“Oi Eric! Ainda não li o livro do Juremir, mas minha tendência é disconcordar – parcialmente- de ti. Acho que fazer pesquisa é uma caminhada e testar métodos uma forma de se aprender. Não acho que renegar o positivismo seja um caminho inteiramente “positivo” se me permites a redundância, especialmente para quem começa a entender a pesquisa; acho que entender que o campo empírico é importante também é relevante, mesmo para um pesquisador de ciências humanos. Mas nem tanto ao céu e nem tanto à terra: Obviamente que a reflexão e a teorização são igualmente importantes. Nem um, nem o outro, do meu ponto de vista, são superiores. É preciso que ambos coexistam para que o campo e a ciência (ou a filosofia) avancem. Meu problema é com o perigo do discurso “antimetodologico” como regra, especialmente para quem começa a caminhar no campo. É preciso sim, valorizar a reflexão, mas também ancorar a mesma na observação do mundo empírico e não unicamente “no mundo das idéias”, sob o risco de se fazer unicamente uma “pesquisa platônica”, que enxerga apenas um mundo ideal, distante da realidade empírica. Uma síntese, assim, que fale tanto ao mundo quanto à mente parece-me necessária.
Embora a intenção do Juremir, parece-me, seja a saudável crítica do empiricismo sem reflexão, creio que a reflexão em o empiricismo é igualmente complicada. No entanto, vai muita lenha na fogueira ainda, na discussão do livro. De fato, a própria proposta de uma “antimetodologia”, seguida por um “como fazer” já é, em si, uma contradição repleta de uma ironia fina. Lerei e depois comentarei também no meu blog. Essa é uma discussão que precisa ir adiante.🙂
Nesse sentido, a própria Grounded Theory é quase uma “antimetodologia”

One thought on “O que Pesquisar quer Dizer (Continuando o Debate)

  1. Gostei muito da resenha do Erick. Também achei interessante o comentário da Raquel Recuero. Aproveito para dizer que não faço uma crítica ao empírico. Ao contrário. Sou um fã do trabalho de campo. A minha crítica ao positivismo não passa por apologia do meramente teórico. Não creio que o problema do positivismo esteja na oposição empírico/teórico. Também, como o Erick bem destacou, não defendo a abolição das regras. Eu faço uma discussão sobre o absurdo de certas regras e sobre o engessamento que pode ser provocado pelo efeito perverso do metodologismo. Abraços. Juremir

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s