Novidades sobre o Arquivo Flusser

Recebi nova mensagem do Rodigo lá do arquivo Flusser, onde ele informa que a estratégia de atuação acaba de ser alterada.  Zielinski prefere não tornar público demais o assunto (ok, agora vai ficar só entre nós, os cerca de 1000 integrantes da lista da Compós e não sei mais quantos da lista da Socine…), e em lugar disso está acionando outras instituições capazes de oferecer o apoio que o arquivo necessita.  Pelo pouco que conheço do Zielinski, tenho certeza de que será bem sucedido.  De fato, nesse momento em que nada ainda está definido, a melhor estratégia parece ser a discrição e a busca de um plano B.  Face a esse novo direcionamento, a ideia das cartas de apoio fica suspensa.  De todo modo, é bom que a comunidade acadêmica esteja alerta para o problema.  No Brasil, não faltam exemplos de acervos importantes que estão se perdendo por falta de suporte financeiro.  Por outro lado, Zielinski possui uma rede de contatos e várias alternativas para assegurar o funcionamento do arquivo, mesmo que não seja necessariamente nas dependências da Universidade das Artes.  Portanto, a melhor coisa que podemos fazer agora é simplesmente visitar o site (http://www.flusser-archive.org/) e apreciar o belo trabalho que Rodrigo e Claudia fazem por lá.  Por essas razões, e como na internet as coisas tendem a se multiplicar desproporcionalmente, estou reformulando o texto do post anterior.

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Sobre o Arquivo Flusser

O Arquivo Flusser foi organizado pela viúva do pensador, Edith Flusser (hoje vivendo em Nova Iorque), com a ajuda de Klaus Sander.  Em 1998, foi entregue aos cuidados de Siegfried Zielinski, grande teórico alemão das mídias e estudioso de arte tecnológica.  Até 2007, ele se localizava em Colônia (segundo me contaram, a universidade sofreu um incêndio que por pouco não destruiu o arquivo).  Depois dessa data, ele passou a ser abrigado na Universität der Künste Berlin (Universidade das Artes de Berlim), onde Zielinski assumiu a cátedra de arqueologia e variantologia da mídia.  Inicialmente o arquivo foi supervisionado por Sivia Wagnermaier, que editou, junto com Zielinski, o livro onde foram transcritas as aulas dadas por Flusser em Bochum pouco antes de morrer (Kommunikologie weiter denken).  Atualmente, sua supervisora científica é a doutoranda Claudia Becker.  Rodrigo Novaes, brasileiro aluno de Zielinski, trabalha ao lado de Claudia nos vários projetos ali desenvolvidos.  O arquivo consiste de cerca de 2500 manuscritos de Flusser em pelo menos quatro línguas (português, alemão, francês e inglês), muitos deles ainda inéditos.  Além disso, abriga a numerosa correspondência de Flusser, parte de sua biblioteca de viagem e variados estudos sobre o pensador.  O arquivo sofre de uma série de problemas oriundos da falta de recursos: por exemplo, o material está organizado de uma forma muito singular, por palavras-chave que nem sempre facilitam a localização do material procurado.  Na verdade, trata-se de várias pastas contendo cópias e mais cópias de folhas datilografadas por Flusser e organizadas a partir dos idiomas em que os textos foram escritos. Quando eu estive lá, Claudia estava às voltas com o problema de recuperar partes desse sistema de classificação, que fora elaborado em antigos computadores Mcintosh e ilegível, portanto, nos atuais sistemas operacionais.  Recentemente, Zielinski conseguiu contratar Annie Goh como auxiliar do arquivo, e havia a promessa também da contratação de um bibliotecário que ajudaria a classificar o material adequadamente.  Ele ocupa uma pequena sala no terceiro andar do prédio da UdK que fica em Kleistpark, em Schöneberg (saída do U-Bahn linha 7, estação Kleistpark).  Não obstante todos os problemas, o arquivo tem se caracterizado como ferramenta fundamental para pesquisadores, graças aos esforços e à paixão de Zielinski, Claudia e Rodrigo.  Eu frequentava a sala livremente, praticamente todos os dias da semana, mesmo quando Claudia e Rodrigo não estavam lá.  Do mesmo modo, durante o período que passei em Berlim, pude testemunhar a passagem de vários pesquisadores e estudantes de doutorado (como o Norval, antigo frequentador, e Alex Heilmar, seu orientando), que tinham livre acesso ao material.  Parabéns aos encarregados por seu empenho em colaborar com essa importante fonte de recursos para a pesquisa.