New Year’s Resolutions

After a much deserved vacation, I’m finally back to the blog and eager to write about the recent developments in my research.  However, as you may have noticed, there is something different…  Yes, I’m writing in English and from now on this will be the official language around here.  It was not an easy decision to make and I had to consider several factors before making up my mind.  The truth to the matter is that Portuguese offers an academic a very limited readership.  No matter how strong my connection to my native language might be, no matter how artificial and clumsy my writing skills in a foreign language may prove, the pressure for the so called “internationalization” is now very strong in Brazilian academia.  “Publish (in English) or perish” is the new slogan of the institutions that fund research in Brazil (Capes, CNPq).  If I have enough time, I will try to post in both English and Portuguese, but I’m not sure I’ll always be able to do that.  I must also say that most of the scholars I admire are now using digital platforms to exchange ideas.  People like Graham Harman, Jussi Parikka, Alex Galloway, Eugene Thacker and many others use social media, such as Facebook and Twitter, in a very productive way.  Academic conversations are no longer confined within the walls of universities and research institutions.  This is a completely novel and exciting scenario, where the internet and digital media will play an increasingly important role. Brazilian scholars (specially in the field of cyberculture) are also participating in this ongoing conversation, with very interesting blogs such as Labcult and Dispositivos de Vigilância.  However, when one chooses to write in Portuguese he or she is unfortunately excluded from the larger, international circle of academic discussion.  As a matter of fact, the very useful resource of WordPress’ statistics demonstrate that one of the most popular posts in this blog was precisely the one I wrote in English about Simondon. So if you are an occasional reader of this blog, I ask you to bear with me while I adapt to this new mindset.  And of course comments can be written in Portuguese (or in whatever Language you feel more comfortable with).  For now this is just an experiment and I will try it for a few months to see what happens…

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Novidades sobre o Arquivo Flusser

Recebi nova mensagem do Rodigo lá do arquivo Flusser, onde ele informa que a estratégia de atuação acaba de ser alterada.  Zielinski prefere não tornar público demais o assunto (ok, agora vai ficar só entre nós, os cerca de 1000 integrantes da lista da Compós e não sei mais quantos da lista da Socine…), e em lugar disso está acionando outras instituições capazes de oferecer o apoio que o arquivo necessita.  Pelo pouco que conheço do Zielinski, tenho certeza de que será bem sucedido.  De fato, nesse momento em que nada ainda está definido, a melhor estratégia parece ser a discrição e a busca de um plano B.  Face a esse novo direcionamento, a ideia das cartas de apoio fica suspensa.  De todo modo, é bom que a comunidade acadêmica esteja alerta para o problema.  No Brasil, não faltam exemplos de acervos importantes que estão se perdendo por falta de suporte financeiro.  Por outro lado, Zielinski possui uma rede de contatos e várias alternativas para assegurar o funcionamento do arquivo, mesmo que não seja necessariamente nas dependências da Universidade das Artes.  Portanto, a melhor coisa que podemos fazer agora é simplesmente visitar o site (http://www.flusser-archive.org/) e apreciar o belo trabalho que Rodrigo e Claudia fazem por lá.  Por essas razões, e como na internet as coisas tendem a se multiplicar desproporcionalmente, estou reformulando o texto do post anterior.

Sobre o Arquivo Flusser

O Arquivo Flusser foi organizado pela viúva do pensador, Edith Flusser (hoje vivendo em Nova Iorque), com a ajuda de Klaus Sander.  Em 1998, foi entregue aos cuidados de Siegfried Zielinski, grande teórico alemão das mídias e estudioso de arte tecnológica.  Até 2007, ele se localizava em Colônia (segundo me contaram, a universidade sofreu um incêndio que por pouco não destruiu o arquivo).  Depois dessa data, ele passou a ser abrigado na Universität der Künste Berlin (Universidade das Artes de Berlim), onde Zielinski assumiu a cátedra de arqueologia e variantologia da mídia.  Inicialmente o arquivo foi supervisionado por Sivia Wagnermaier, que editou, junto com Zielinski, o livro onde foram transcritas as aulas dadas por Flusser em Bochum pouco antes de morrer (Kommunikologie weiter denken).  Atualmente, sua supervisora científica é a doutoranda Claudia Becker.  Rodrigo Novaes, brasileiro aluno de Zielinski, trabalha ao lado de Claudia nos vários projetos ali desenvolvidos.  O arquivo consiste de cerca de 2500 manuscritos de Flusser em pelo menos quatro línguas (português, alemão, francês e inglês), muitos deles ainda inéditos.  Além disso, abriga a numerosa correspondência de Flusser, parte de sua biblioteca de viagem e variados estudos sobre o pensador.  O arquivo sofre de uma série de problemas oriundos da falta de recursos: por exemplo, o material está organizado de uma forma muito singular, por palavras-chave que nem sempre facilitam a localização do material procurado.  Na verdade, trata-se de várias pastas contendo cópias e mais cópias de folhas datilografadas por Flusser e organizadas a partir dos idiomas em que os textos foram escritos. Quando eu estive lá, Claudia estava às voltas com o problema de recuperar partes desse sistema de classificação, que fora elaborado em antigos computadores Mcintosh e ilegível, portanto, nos atuais sistemas operacionais.  Recentemente, Zielinski conseguiu contratar Annie Goh como auxiliar do arquivo, e havia a promessa também da contratação de um bibliotecário que ajudaria a classificar o material adequadamente.  Ele ocupa uma pequena sala no terceiro andar do prédio da UdK que fica em Kleistpark, em Schöneberg (saída do U-Bahn linha 7, estação Kleistpark).  Não obstante todos os problemas, o arquivo tem se caracterizado como ferramenta fundamental para pesquisadores, graças aos esforços e à paixão de Zielinski, Claudia e Rodrigo.  Eu frequentava a sala livremente, praticamente todos os dias da semana, mesmo quando Claudia e Rodrigo não estavam lá.  Do mesmo modo, durante o período que passei em Berlim, pude testemunhar a passagem de vários pesquisadores e estudantes de doutorado (como o Norval, antigo frequentador, e Alex Heilmar, seu orientando), que tinham livre acesso ao material.  Parabéns aos encarregados por seu empenho em colaborar com essa importante fonte de recursos para a pesquisa.

A Arte da Conversação

Lendo a crônica do meu amigo Juremir Machado esta semana no Correio do Povo, dei-me conta do quanto sinto falta do tipo de conversa que ele relata ali.  Como diz Juremir, “nada melhor do que falar sobre Heidegger num café da manhã de hotel”.  Ainda mais com Ernildo Stein, grande especialista na obra do filósofo.  Mas a verdade é que o cotidiano da academia nos oferece muito menos oportunidades para esse tipo de conversas do que poderíamos imaginar à primeira vista.  Esta semana participei do congresso da Abrestética, cujo tema foi “Vilém Flusser: 20 anos Depois”.  Pela primeira vez em muitos anos, em meio aos filósofos e teóricos da literatura, “senti-me em casa”.  Claro, Ouro Preto é uma cidade que convida a esse tipo de conversação sem utilidade, poética, cheia de devaneio e de admiração pelas ideias e autores que a gente aprecia.  Num dos dias do evento, sentei-me à mesa de um restaurante com alguns professores da UFOP.  Foi um almoço delicioso, não tanto pela comida mineira, quanto pelo papo, que foi da fenomenologia à grandeza de Grande Sertão: Veredas e à poesia de Carlos Drummond de Andrade – e  isso temperado com aquela mineirice que enriquece toda conversação regada por uma boa cachacinha. Os colegas da UFOP não somente eram pessoas agradáveis e simpáticas, mas também muito lidas e apaixonadas.  Não eram apenas conhecedores de seus “campos” filosóficos específicos, mas leitores curiosos de boa literatura e espectadores entusiasmados de bom cinema.  É verdade que existem muitas razões para ingressar na academia.  E certamente, a maior delas não é o gosto pela poesia ou pelo exercício do pensamento.  Mas os que o fazem motivados pela paixão das ideias tendem a viver uma existência solitária.  Sim, eu sei que é apenas um queixume de alguém que, na ingenuidade da juventude, formou uma imagem excessivamente romântica da vida acadêmica.  Não teria sentido algum questionar meus colegas que não fizeram a mesma opção ou que têm, por exemplo, uma atitude mais pragmática e objetiva em relação às suas carreiras.  A vida é múltipla, e todas as suas possibilidades são bem vindas.  Mas tenho que ser fiel às minhas crenças; tenho que dar algum sentido àquilo que faço (e o único sentido palpável da vida é aquele que nós mesmos lhe atribuímos).  E eu só consigo enxergar sentido nessa profissão (tão desvalorizada e mal remunerada) quando ela se liga ao espanto filosófico com o mundo e a curiosidade insaciável pelas grandes ideias da historia humana.  Claro, o evento também foi excelente, tanto do ponto de vista da organização como da qualidade das conferências.  Conheci Rainer Guldin, grande flusseriano suíço, e mais um batalhão de outros pesquisadores alemães interessados no filósofo tcheco-brasileiro (quase todos falando ou pelo menos entendendo português, o que me deixava extremamente embaraçado de fustigar seus ouvidos com meu sofrível alemão).  Achava que o polêmico tema da minha fala – o pós-humanismo em Flusser – seria recebido com reservas e até virulentas críticas entre os filósofos e literatos.  Por incrível que pareça, trata-se de tema que mesmo no meu campo de trabalho, a comunicação, ainda gera polemica e sorrisos irônicos.  Em vez disso, recebi elogios efusivos e apertos de mão. Terminado o evento, sentamo-nos em um café, eu e Rainer Guldin, Joachim Michael e Dirk-Michael Hennrich, e conversamos sobre literatura e os magníficos gadgets da Apple.  Foi uma conversa divertida.  E os falantes nativos ainda tiraram sarro de mim quando tentei explicar como agora é possível interagir com o novo software do iPhone 4s (o “Siri”) por meio de voz, mas pronunciei “Handy” (celular) quase como “Hände” (mãos). “Talk to the hand”, brincou o Guldin, lembrando uma expressão norte-americana.  Do outro lado da mesa, o Gustavo Bernardo, colega dos tempos de doutorado e flusseriano de carteirinha.  Fiquei com vontade de reencontrar essas pessoas.  Por que na academia é assim: a gente faz amigos sazonais.  Conhecemos pessoas fantásticas, desenvolvemos relações fortes, mas encontramos com elas apenas uma ou duas vezes por ano, durante os congressos.  E isso funciona como mais um mecanismo para despertar nosso interesse nesses eventos.  Às vezes o que acontece fora dos debates nas sessões de apresentações (em mesas de bar, por exemplo) é ainda mais enriquecedor e interessante.  Eu sei que tem muita gente que acha esse tipo de conversas chato ou pretensioso.  E realmente existem indivíduos – eles abundam na academia – que gostam de cuspir referências e citações para se exibir.  Mas há também, sem dúvida alguma, os que falam de tais assuntos porque realmente gostam, porque são apaixonados, seja pela literatura, seja pela filosofia ou o cinema.  E, sinceramente, não é melhor gostar e falar de tais coisas do que se limitar, sempre e sempre, ao small talk?  Então dane-se quem acha esse tipo de conversa pretensiosa ou aborrecida.  Por que de small talk não existe carência no mundo.  Não é à toa que Flusser falava sobre a decadência da conversação em conversa fiada…

RIP Friedrich Kittler 1943-2011

Acabei de saber, através do amigo Jussi Parikka, que o maior teórico da mídia alemão da atualidade, Friedrich Kittler, faleceu em Berlim.  Acompanhei o último curso que Kittler deu na Humboldt Universität no ano passado (já muito doente): Elektronische Medien.  Jussi escreveu em seu blog um belo texto em homenagem a esse grande pensador.  A área de Comunicação ficou mais pobre…

UFC

Quando estive na Universidade Federal do Ceará, no início do semestre, para uma banca de concurso (com as queridas Diana Domingues e Priscila Arantes), fiquei impressionado com a qualidade do corpo docente do Programa de Comunicação.  Gente jovem, versátil, séria e com uma invejável bagagem de leituras.  Coisa muito rara de se encontrar por aí nos dias de hoje.  E são pesquisadores jovens que leram de tudo, inclusive literatura.  Isso me leva a apostar, sem hesitação, num futuro brilhante para o PPG.