Some small repercussions of our Symposium

Graham posted this in his blog. He is in São Paulo and we’ll meet him tomorrow. Glad he liked the restaurant I recommended.  Also, Steven posted the abstract for his talk in Rio here. Today we took Siegfried Zielinski to the Moreira Salles Institute. He is quite taken by the beautiful natural landscapes of Rio. Adalberto, Siegfried and I had a nice conversation on Flusser and his book “A History of the Devil”.  A delightful Sunday, indeed.

Breve Esclarecimento

Parece que tem gente achando pedante eu ter passado a escrever em inglês no meu blog.  Em função disso, talvez valha a pena esclarecer alguns pontos:

1. Trata-se de um blog de pesquisa (ainda que ocasionalmente eu escreva sobre temas pessoais), e meu interesse é levar os resultados desse trabalho ao público mais amplo possível. Infelizmente, o português não é a língua ideal para isso. Assim como na Idade Média o latim era a língua da academia, hoje essa língua é o inglês.  Esse é um dado incontornável da realidade em que vivemos e nenhum nacionalismo raivoso ou xenofobia linguística vai mudar isso. A Capes, o CNPq e o caramba a quatro nos enchem o saco o tempo todo com o discurso da internacionalização, e isso implica passar a escrever e publicar em inglês (tanto artigo em periódicos internacionais como nos ambientes virtuais onde divulgamos nossa pesquisa).  Claro, seria muito mais conveniente e fácil escrever em português, minha língua nativa, com a qual eu tenho uma relação absolutamente amorosa e confortável.  Todavia, tanto no Facebook como no Twitter, existe um número razoável de pessoas não falantes do português que acompanham meus posts, entre os quais vários pesquisadores com os quais tenho parcerias acadêmicas (ops! Acabei de perceber que dizer isso vai parecer pedante…). Eu gostaria que eles fossem capazes de entender o que escrevo, ao menos de vez em quando.

2. O cara que me acha pedante por escrever em inglês, com certeza vai continuar me achando pedante por um monte de outras razões: porque falo alemão, porque sorrio pouco, porque não faço salamaleques, porque gosto e faço propaganda da filosofia, porque curto citar autores obscuros e sei lá mais o quê… A questão é que se eu começar a me preocupar muito com isso, vou ter de passar a filtrar tudo que digo.  E o problema é que eu falo do que me apaixona, e não consigo não ser coerente com as minhas obsessões. Obviamente, ninguém é obrigado a compartilhá-las. Ninguém é forçado a assistir a minhas aulas, me seguir no Twitter ou ler meu blog – muito menos gostar de mim.  Se o sujeito tiver pelo menos uma mente aberta e estiver disposto a escutar meus argumentos por alguns minutos eu já fico muito satisfeito.

3. No fundo, no fundo, quem quer ser popular não faz a opção pela vida acadêmica.  A suprema felicidade é encontrar mais de 10 pessoas que tenham lido um texto nosso. Livro acadêmico não é best-seller.  No dia em que um Canclini estiver ganhando mais dinheiro que um Paulo Coelho ou pegando mais mulher que o Neymar, poderemos ter certeza de que fomos transportados misteriosamente para um universo paralelo radicalmente diferente do nosso. Todavia, gosto de acreditar que os temas que pesquiso – e em especial, agora, o pensamento de Vilém Flusser, esse excepcional pensador que viveu entre nós por mais de 30 anos – tem algum valor.  O feedback que venho recebendo por email ou mesmo aqui no blog me dá indicações disso. E realmente me agrada a ideia de compartilhar alguns achados com outras pessoas que infelizmente não compreendem o português.

4. And yet, and yet…para não dizerem que, além de pedante, eu sou também radical, farei um esforço para postar aqui nas duas línguas.  Com certeza, isso não vai mudar a opinião do cara que me acha metido, mas talvez assim ele se sinta motivado a prestar mais atenção nos temas cuja discussão eu venho propondo. Isso, sim, é que é realmente importante.

More Career Tips for Young Academics

I’m finally back to blogging here (which I hope will happen more frequently from now on) and hopefully I’ll be able to present some of my new research on Flusser pretty soon.  However, I decided that my first post after vacation time should be something rather light and humorous.  So in order to keep up with the series “Advices for a Successful Academic Career”, I thought it might be interesting to give our young graduates some pointers on how to promote their careers.  Of course, since I can only talk about my own experience, what you’ll read bellow applies primarily to the Brazilian context and, more specifically, to the field of media studies.

1. Never read or discuss any work that is less than twenty years old; that will make you extremely unpopular. Instead, try to quote and analyze only authors or theories that have already been canonized by your peers.  As a matter of fact, the more canonical, the better;

2. If you can choose, do applied rather than purely theoretical research. ” Teoria da Comunicação” is a very unpopuplar line of work in Brazilian media studies.  Also, some people tend to give you a funny look when you begin inserting too much philosophy in your talks or wander too far off the beaten tracks (of the so called “field of communication studies”);

3. If your proposal for a research project gets a rejection, don’t even think of writing an appeal.  You know this will be just a waste of your time, specilaly if you’re dealing with institutions such as Capes and CNPq. It would be wiser to seek psychological help or get hammered over the weekend.

4. People in academia tend to be very touchy, so always be extermely careful with what you say and do, as you might unintentionaly offend someone. Even better: don’ts say or do anything unless you absolutely need to. When in an administrative position (althought there is actually no such thing in Brazilian public schools), avoid confrontation at all costs.

New Year’s Resolutions

After a much deserved vacation, I’m finally back to the blog and eager to write about the recent developments in my research.  However, as you may have noticed, there is something different…  Yes, I’m writing in English and from now on this will be the official language around here.  It was not an easy decision to make and I had to consider several factors before making up my mind.  The truth to the matter is that Portuguese offers an academic a very limited readership.  No matter how strong my connection to my native language might be, no matter how artificial and clumsy my writing skills in a foreign language may prove, the pressure for the so called “internationalization” is now very strong in Brazilian academia.  “Publish (in English) or perish” is the new slogan of the institutions that fund research in Brazil (Capes, CNPq).  If I have enough time, I will try to post in both English and Portuguese, but I’m not sure I’ll always be able to do that.  I must also say that most of the scholars I admire are now using digital platforms to exchange ideas.  People like Graham Harman, Jussi Parikka, Alex Galloway, Eugene Thacker and many others use social media, such as Facebook and Twitter, in a very productive way.  Academic conversations are no longer confined within the walls of universities and research institutions.  This is a completely novel and exciting scenario, where the internet and digital media will play an increasingly important role. Brazilian scholars (specially in the field of cyberculture) are also participating in this ongoing conversation, with very interesting blogs such as Labcult and Dispositivos de Vigilância.  However, when one chooses to write in Portuguese he or she is unfortunately excluded from the larger, international circle of academic discussion.  As a matter of fact, the very useful resource of WordPress’ statistics demonstrate that one of the most popular posts in this blog was precisely the one I wrote in English about Simondon. So if you are an occasional reader of this blog, I ask you to bear with me while I adapt to this new mindset.  And of course comments can be written in Portuguese (or in whatever Language you feel more comfortable with).  For now this is just an experiment and I will try it for a few months to see what happens…

UFC

Quando estive na Universidade Federal do Ceará, no início do semestre, para uma banca de concurso (com as queridas Diana Domingues e Priscila Arantes), fiquei impressionado com a qualidade do corpo docente do Programa de Comunicação.  Gente jovem, versátil, séria e com uma invejável bagagem de leituras.  Coisa muito rara de se encontrar por aí nos dias de hoje.  E são pesquisadores jovens que leram de tudo, inclusive literatura.  Isso me leva a apostar, sem hesitação, num futuro brilhante para o PPG.

O Caso Paulo Coelho

Não tenho nada contra Paulo Coelho.  Ele parece ser uma pessoa até bastante simpática.  Certamente é um sujeito inteligente, e sua parceria com Raul Seixas representa um episódio significativo na história da música brasileira. Mais que isso, deve haver algum mérito no que faz, considerando o extraordinário êxito que obteve no cenário internacional.  Algo bastante difícil para um cidadão de país econômica e culturalmente marginal, mesmo no contexto do já saturado mercado da literatura de auto-ajuda.  Todavia, é nítido para qualquer pessoa acima do nível da completa imbecilidade que os escritos de Paulo Coelho não podem ser categorizados como “literatura” (ao menos não no sentido tradicional e ainda consagrado do termo).  Colocar Paulo Coelho ao lado de verdadeiro autores da grande literatura, como Guimarães Rosa, Machado de Assis ou Jorge Luis Borges, seria covardia.  A diferença é tão estratosférica que sequer permite o mecanismo da comparação.  E não me entendam mal: em princípio, também não tenho nada contra o que Paulo Coelho faz.  Assim como aprecio o cinema hollywoodiano e a indústria do entretenimento em geral (ser intelectual o tempo todo acaba sendo muito chato), não vejo problema em ler Paulo Coelho como experiência de lazer.  E sobre isso posso falar com algum conhecimento de causa, pois não tenho vergonha alguma em confessar já ter lido Diário de um Mago, As ValquíriasO Alquimista.  Porém, seja lá o que for que ele faça (textos de auto-ajuda ou para a “distração” dos leitores), certamente não tem nada a ver com a noção de literatura que descrevi acima.  Coelho está novamente sob os holofotes da mídia, após a decisão de Flora Süssekind de barrá-lo da seção literária do festival cultural Europalia, que está para começar em Bruxelas.  A polêmica que se formou em torno do episódio coloca em evidência a tendência anti-intelectualista da sociedade brasileira – nesse aspecto, não somos muito diferentes dos norte-americanos.  A atitude de Süssekind foi tachada por algumas pessoas (na sua maioria, evidentemente, admiradores da “obra” de Paulo Coelho) de arrogante, intelectualóide e tacanha.  Mas ela foi coerente com o propósito de representar a verdadeira cultura literária do Brasil. Afinal, a realidade pura e simples é que Paulo Coelho não é e não poderia ser o maior autor da literatura brasileira.  Certamente, ele é o autor mais vendido, e isso é indiscutível.  Todavia – sinto despontar os espíritos populistas -, a voz do povo não é a voz de Deus.  Aliás, o fato de que tanta gente possa considerar Paulo Coelho o maior autor da literatura brasileira é um indício da tremenda decadência intelectual em que este país se encontra.  Querem densidade espiritual e emoção autêntica?  Leiam Guimarães Rosa.  Querem questionar a ordem do mundo e nosso apego ao real?  Leiam Murilo Rubião.  Querem experiência de vida e mapas para se guiar nos confusos labirintos do mundo?  Leiam Manuel Bandeira.  Mesmo do ponto de vista do que poderíamos chamar de “literatura espiritualista” ou esotérica, que já produziu grandes nomes como René Guénon, Julius Evola ou Fritjof Schuon, Paulo Coelho é leitura para crianças.  Sejamos sinceros: o que esperar do autor de frases como “quem deseja ver o arco-íris deve aprender a desfrutar a chuva”?  É necessário um alto grau de estupidez congênita para não enxergar a banalidade vazia dessa sentença.  Mas repito: não condeno quem lê Paulo Coelho e se diverte com esses aforismos infantis.  O que me incomoda são seus fãs radicais (melhor dizer “discípulos”, pois se trata de uma religião), que correm esbaforidos em defesa de seu mestre ao menor sinal de crítica a seus escritos.  Sempre vai haver quem prefira comer papinha, mas também aqueles que se entregam à difícil arte de se mastigar ouriços.  Bom, eu li Paulo Coelho, mas li também Rosa, Borges e Pessoa.  Aliás, a espiritualidade de Pessoa é tão mais profunda e densa que a de Coelho que só consigo pensar na imagem de uma Maserati ao lado de uma bicicleta Caloi.  E vocês, fervorosos defensores do “maior escritor brasileiro”, já leram intensamente algum desses outros autores?  Se o fizeram e continuam preferindo Coelho, então só me resta lhes dar as más notícias: precisam urgentemente de um transplante de cérebro.  Agora, se apreciam ler Coelho, mas reconhecem a superioridade (literária!) de, digamos, um Machado de Assis sobre o autor de Brida, então não vejo problema algum em ti.  Estamos de acordo.  Cada coisa em seu lugar.  O de Paulo Coelho, com todo seu enorme êxito de público, continua sendo um grande enigma. Talvez, no fim das contas, ele seja realmente um “mago”…