International Symposium “The Secret Life of Objects” – Rio 2012

The International Symposium “The Secret Life of Objects: Materialities, Medialities, Temporalities” will take place in Rio de Janeiro, from August the 1st to August the 3rd. Promoted by the State University of Rio de Janeiro, along with several other academic institutions (such as the Vilem Flusser Archiv and Universität Wien), the event is intended to debate the emergence of new paradigms, epistemologies and intellectual scenarios within the Humanities (see the abstract bellow). The keynote speaker will be the French sociologist Bruno Latour and several other guests have already confirmed their presence (Graham Harman, Siegfried Zielinski, Joachim Paech, Ian Bogost etc.). The organizing committee will soon release a detailed program with information on how to enroll.

Erick Felinto (Presidente) – UERJ
Adalberto Müller – UFF/Letras
André Lemos – UFBA
Fernanda Bruno – UFRJ
Lúcia Santaella – PUCSP
Maurício Lissovsky – UFRJ
Simone de Sá – UFF
Vinicius Andrade Pereira – UERJ

Abstract: There are strong indications that a significant transformation is underway in the so-called “human sciences” (Geisteswissenschaften, sciences humaines, Humanities). After a period of intense crisis and uncertainty, in which human sciences have frequently sought to mirror or approach the hard sciences, the beginning of the twenty-first century seems to witness a broad renewal of disciplines, approaches and methodologies. From the questioning of its traditional foundations, humanities are reinventing themselves by a broad reconfiguration of its borders and even of the notion of “humanity” that served as its cornerstone. One of the areas where the wealth of this new scenario is most clearly displayed is that of media studies. Spurred by the impact of new digital technologies, media studies cleverly learned to appropriate the epistemological principles and major theoretical issues that have come to characterize the contemporary cultural scene. The objective of the Seminar “The Secret Life of Objects: Medialities, Materialities, Temporalities” is to sketch a systematization of this scenario from a transdisciplinary perspective, but with a decisive focus on communication studies and culture. The three axes that structure the Seminar represent articulating knots that cut across different disciplines in the humanities, from sociology to philosophy, but acquire special meaning in the context of new media studies. The underlying assumption is that we need to radically rethink the notion of epistemic agency in a context where the action and the impact of the objects, media and technological materialities become increasingly important. Thus, it is not only necessary to investigate the place of human actors in a world enriched by the life of polymorphic objects, but also to highlight the issues that the strong tradition of hermeneutics of the humanities have often obscured: what, without constituting meaning per se, contributes nonetheless to the production of meaning? What is a medium and how mediation processes unfold? In what ways does technological materiality inform cultural worlds and determine forms of cognition? What new models of historical research of techniques and culture are emerging within the current epistemological paradigms? In what ways is the material dimension of experience combined with the intangible dimensions of culture? What does it mean to purport an “object-oriented” philosophy? In what sense does the category of the human reconfigure itself in light of our new relations with objects and nonhuman entities? How important is the legacy of the genealogy and archeology of knowledge (Nietzsche, Foucault) to a perspectivization of the impacts of “new” digital culture? By means of interdisciplinary panels, in which philosophers, anthropologists and scientists will discuss with experts in media studies, we intend to address these issues in order to elaborate a preliminary cartography of an epistemological territory still in its early stages of exploration.

Breve Esclarecimento

Parece que tem gente achando pedante eu ter passado a escrever em inglês no meu blog.  Em função disso, talvez valha a pena esclarecer alguns pontos:

1. Trata-se de um blog de pesquisa (ainda que ocasionalmente eu escreva sobre temas pessoais), e meu interesse é levar os resultados desse trabalho ao público mais amplo possível. Infelizmente, o português não é a língua ideal para isso. Assim como na Idade Média o latim era a língua da academia, hoje essa língua é o inglês.  Esse é um dado incontornável da realidade em que vivemos e nenhum nacionalismo raivoso ou xenofobia linguística vai mudar isso. A Capes, o CNPq e o caramba a quatro nos enchem o saco o tempo todo com o discurso da internacionalização, e isso implica passar a escrever e publicar em inglês (tanto artigo em periódicos internacionais como nos ambientes virtuais onde divulgamos nossa pesquisa).  Claro, seria muito mais conveniente e fácil escrever em português, minha língua nativa, com a qual eu tenho uma relação absolutamente amorosa e confortável.  Todavia, tanto no Facebook como no Twitter, existe um número razoável de pessoas não falantes do português que acompanham meus posts, entre os quais vários pesquisadores com os quais tenho parcerias acadêmicas (ops! Acabei de perceber que dizer isso vai parecer pedante…). Eu gostaria que eles fossem capazes de entender o que escrevo, ao menos de vez em quando.

2. O cara que me acha pedante por escrever em inglês, com certeza vai continuar me achando pedante por um monte de outras razões: porque falo alemão, porque sorrio pouco, porque não faço salamaleques, porque gosto e faço propaganda da filosofia, porque curto citar autores obscuros e sei lá mais o quê… A questão é que se eu começar a me preocupar muito com isso, vou ter de passar a filtrar tudo que digo.  E o problema é que eu falo do que me apaixona, e não consigo não ser coerente com as minhas obsessões. Obviamente, ninguém é obrigado a compartilhá-las. Ninguém é forçado a assistir a minhas aulas, me seguir no Twitter ou ler meu blog – muito menos gostar de mim.  Se o sujeito tiver pelo menos uma mente aberta e estiver disposto a escutar meus argumentos por alguns minutos eu já fico muito satisfeito.

3. No fundo, no fundo, quem quer ser popular não faz a opção pela vida acadêmica.  A suprema felicidade é encontrar mais de 10 pessoas que tenham lido um texto nosso. Livro acadêmico não é best-seller.  No dia em que um Canclini estiver ganhando mais dinheiro que um Paulo Coelho ou pegando mais mulher que o Neymar, poderemos ter certeza de que fomos transportados misteriosamente para um universo paralelo radicalmente diferente do nosso. Todavia, gosto de acreditar que os temas que pesquiso – e em especial, agora, o pensamento de Vilém Flusser, esse excepcional pensador que viveu entre nós por mais de 30 anos – tem algum valor.  O feedback que venho recebendo por email ou mesmo aqui no blog me dá indicações disso. E realmente me agrada a ideia de compartilhar alguns achados com outras pessoas que infelizmente não compreendem o português.

4. And yet, and yet…para não dizerem que, além de pedante, eu sou também radical, farei um esforço para postar aqui nas duas línguas.  Com certeza, isso não vai mudar a opinião do cara que me acha metido, mas talvez assim ele se sinta motivado a prestar mais atenção nos temas cuja discussão eu venho propondo. Isso, sim, é que é realmente importante.

More Career Tips for Young Academics

I’m finally back to blogging here (which I hope will happen more frequently from now on) and hopefully I’ll be able to present some of my new research on Flusser pretty soon.  However, I decided that my first post after vacation time should be something rather light and humorous.  So in order to keep up with the series “Advices for a Successful Academic Career”, I thought it might be interesting to give our young graduates some pointers on how to promote their careers.  Of course, since I can only talk about my own experience, what you’ll read bellow applies primarily to the Brazilian context and, more specifically, to the field of media studies.

1. Never read or discuss any work that is less than twenty years old; that will make you extremely unpopular. Instead, try to quote and analyze only authors or theories that have already been canonized by your peers.  As a matter of fact, the more canonical, the better;

2. If you can choose, do applied rather than purely theoretical research. ” Teoria da Comunicação” is a very unpopuplar line of work in Brazilian media studies.  Also, some people tend to give you a funny look when you begin inserting too much philosophy in your talks or wander too far off the beaten tracks (of the so called “field of communication studies”);

3. If your proposal for a research project gets a rejection, don’t even think of writing an appeal.  You know this will be just a waste of your time, specilaly if you’re dealing with institutions such as Capes and CNPq. It would be wiser to seek psychological help or get hammered over the weekend.

4. People in academia tend to be very touchy, so always be extermely careful with what you say and do, as you might unintentionaly offend someone. Even better: don’ts say or do anything unless you absolutely need to. When in an administrative position (althought there is actually no such thing in Brazilian public schools), avoid confrontation at all costs.

New Year’s Resolutions

After a much deserved vacation, I’m finally back to the blog and eager to write about the recent developments in my research.  However, as you may have noticed, there is something different…  Yes, I’m writing in English and from now on this will be the official language around here.  It was not an easy decision to make and I had to consider several factors before making up my mind.  The truth to the matter is that Portuguese offers an academic a very limited readership.  No matter how strong my connection to my native language might be, no matter how artificial and clumsy my writing skills in a foreign language may prove, the pressure for the so called “internationalization” is now very strong in Brazilian academia.  “Publish (in English) or perish” is the new slogan of the institutions that fund research in Brazil (Capes, CNPq).  If I have enough time, I will try to post in both English and Portuguese, but I’m not sure I’ll always be able to do that.  I must also say that most of the scholars I admire are now using digital platforms to exchange ideas.  People like Graham Harman, Jussi Parikka, Alex Galloway, Eugene Thacker and many others use social media, such as Facebook and Twitter, in a very productive way.  Academic conversations are no longer confined within the walls of universities and research institutions.  This is a completely novel and exciting scenario, where the internet and digital media will play an increasingly important role. Brazilian scholars (specially in the field of cyberculture) are also participating in this ongoing conversation, with very interesting blogs such as Labcult and Dispositivos de Vigilância.  However, when one chooses to write in Portuguese he or she is unfortunately excluded from the larger, international circle of academic discussion.  As a matter of fact, the very useful resource of WordPress’ statistics demonstrate that one of the most popular posts in this blog was precisely the one I wrote in English about Simondon. So if you are an occasional reader of this blog, I ask you to bear with me while I adapt to this new mindset.  And of course comments can be written in Portuguese (or in whatever Language you feel more comfortable with).  For now this is just an experiment and I will try it for a few months to see what happens…

Novidades sobre o Arquivo Flusser

Recebi nova mensagem do Rodigo lá do arquivo Flusser, onde ele informa que a estratégia de atuação acaba de ser alterada.  Zielinski prefere não tornar público demais o assunto (ok, agora vai ficar só entre nós, os cerca de 1000 integrantes da lista da Compós e não sei mais quantos da lista da Socine…), e em lugar disso está acionando outras instituições capazes de oferecer o apoio que o arquivo necessita.  Pelo pouco que conheço do Zielinski, tenho certeza de que será bem sucedido.  De fato, nesse momento em que nada ainda está definido, a melhor estratégia parece ser a discrição e a busca de um plano B.  Face a esse novo direcionamento, a ideia das cartas de apoio fica suspensa.  De todo modo, é bom que a comunidade acadêmica esteja alerta para o problema.  No Brasil, não faltam exemplos de acervos importantes que estão se perdendo por falta de suporte financeiro.  Por outro lado, Zielinski possui uma rede de contatos e várias alternativas para assegurar o funcionamento do arquivo, mesmo que não seja necessariamente nas dependências da Universidade das Artes.  Portanto, a melhor coisa que podemos fazer agora é simplesmente visitar o site (http://www.flusser-archive.org/) e apreciar o belo trabalho que Rodrigo e Claudia fazem por lá.  Por essas razões, e como na internet as coisas tendem a se multiplicar desproporcionalmente, estou reformulando o texto do post anterior.

Sobre o Arquivo Flusser

O Arquivo Flusser foi organizado pela viúva do pensador, Edith Flusser (hoje vivendo em Nova Iorque), com a ajuda de Klaus Sander.  Em 1998, foi entregue aos cuidados de Siegfried Zielinski, grande teórico alemão das mídias e estudioso de arte tecnológica.  Até 2007, ele se localizava em Colônia (segundo me contaram, a universidade sofreu um incêndio que por pouco não destruiu o arquivo).  Depois dessa data, ele passou a ser abrigado na Universität der Künste Berlin (Universidade das Artes de Berlim), onde Zielinski assumiu a cátedra de arqueologia e variantologia da mídia.  Inicialmente o arquivo foi supervisionado por Sivia Wagnermaier, que editou, junto com Zielinski, o livro onde foram transcritas as aulas dadas por Flusser em Bochum pouco antes de morrer (Kommunikologie weiter denken).  Atualmente, sua supervisora científica é a doutoranda Claudia Becker.  Rodrigo Novaes, brasileiro aluno de Zielinski, trabalha ao lado de Claudia nos vários projetos ali desenvolvidos.  O arquivo consiste de cerca de 2500 manuscritos de Flusser em pelo menos quatro línguas (português, alemão, francês e inglês), muitos deles ainda inéditos.  Além disso, abriga a numerosa correspondência de Flusser, parte de sua biblioteca de viagem e variados estudos sobre o pensador.  O arquivo sofre de uma série de problemas oriundos da falta de recursos: por exemplo, o material está organizado de uma forma muito singular, por palavras-chave que nem sempre facilitam a localização do material procurado.  Na verdade, trata-se de várias pastas contendo cópias e mais cópias de folhas datilografadas por Flusser e organizadas a partir dos idiomas em que os textos foram escritos. Quando eu estive lá, Claudia estava às voltas com o problema de recuperar partes desse sistema de classificação, que fora elaborado em antigos computadores Mcintosh e ilegível, portanto, nos atuais sistemas operacionais.  Recentemente, Zielinski conseguiu contratar Annie Goh como auxiliar do arquivo, e havia a promessa também da contratação de um bibliotecário que ajudaria a classificar o material adequadamente.  Ele ocupa uma pequena sala no terceiro andar do prédio da UdK que fica em Kleistpark, em Schöneberg (saída do U-Bahn linha 7, estação Kleistpark).  Não obstante todos os problemas, o arquivo tem se caracterizado como ferramenta fundamental para pesquisadores, graças aos esforços e à paixão de Zielinski, Claudia e Rodrigo.  Eu frequentava a sala livremente, praticamente todos os dias da semana, mesmo quando Claudia e Rodrigo não estavam lá.  Do mesmo modo, durante o período que passei em Berlim, pude testemunhar a passagem de vários pesquisadores e estudantes de doutorado (como o Norval, antigo frequentador, e Alex Heilmar, seu orientando), que tinham livre acesso ao material.  Parabéns aos encarregados por seu empenho em colaborar com essa importante fonte de recursos para a pesquisa.